Uma das grandes buscas, senão a maior, que aflige o ser humano desde o momento que começa a pensar é a de “aprender a viver”. Inúmeras são as receitas, palpites, de qual seria a forma adequada de conduzir a caminhada. Na juventude, é comum o “ viver o momento”. Passado o tempo, o ser adulto deixa a vida passar, ocupando-se com inúmeras preocupações, normalmente relacionadas com a vida profissional ou familiar. Por outro lado, na velhice, o olhar da vida se transforma, normalmente serenando, observando, refletindo sobre cada acontecimento sem entregar-se. Este desafio de aprender a conduzir-se pelo curto decurso de tempo, fazendo dele o mais proveitoso possível é o grande objetivo. No entanto, cumpre questionar o que seria proveitoso? O que efetivamente é “saber viver”? Observando as várias fases da vida, será fácil perceber, que, geralmente, os momentos mais intensos de vida, que mais tocaram, fizeram o ser vibrar, ocorreram na infância, adolescência ou juventude. Isso ocorre porque, nestas fases, é mais fácil entregar-se por inteiro, “viver o momento”. Por conta disso, muitas são as frustrações, e, até a perda da vida em virtude da ausência de domínio, dos limites, dos riscos que as aventuras provocam. Passado o tempo, com as frustrações, sofrimentos, amadurecimento, vai o ser controlando melhor seus pensamentos e sentimentos, e, por outro lado se envolvendo menos com tudo o que vive. Na velhice, a maturidade, normalmente, traz frustrações por conta daquilo que não foi feito, especialmente, por não ter brincado mais com os filhos, viajado mais, visto o sol se por, curtido a chuva, o sol, a noite a família etc. Por isso, penso, que saber viver, depende, inicialmente , de não comprometer o ser do futuro e, depois, de compreender o que é efêmero e o que é duradouro. Feita esta distinção, cultivar momentos que irão se perpetuar, dos quais se possa mais adiante orgulhar-se, ciente do bem. Ensaiando, é possível aumentar e fazer de cada pequeno fragmento da vida, um grande momento. A magnitude e frequência destes momentos são responsabilidade pessoal, é necessário valorizar, observar, pensar, sentir e viver em toda sua plenitude cada instante, tornando-o útil para si e para a humanidade.
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