Se prestarmos atenção nas horas do dia, no tempo que permanecemos acordados,
empenhados nos inúmeros afazeres
diários, veremos que, muitos são os incômodos que tiram a paz interna e nos
fazem sofrer. Aliás, existem incômodos que nos acompanham por dias, ás vezes
semanas, meses, e alguns até são
responsáveis pela infelicidade de toda uma vida. Normalmente, as causas de tanto sofrimento são originárias
de manifestações, palavras, ações ou omissões alheias. É comum associar referidos
transtornos á personalidade forte, a injustiça do comportamento do outro que atingiu precioso bem, valor que
supostamente possuímos. No entanto, em que pese a imputação, responsabilização
de terceiro pelo sofrimento pessoal, cumpre esclarecer que as razões, ao
contrário do que se imagina, encontram-se escondidas nos recônditos rincões da
alma humana. As reações do temperamento,
o molestar-se nascem, crescem, são
regados, alimentados e nutridos por deficiências caractereológicas. Ou seja,
são os próprios defeitos os responsáveis por tantas angústias que, poderiam e
podem ser evitadas, basta conhecer, debilitar e até eliminá-los. O mais comum
de todos os defeitos, responsáveis por tantos incômodos, é a vaidade, a
qual, sob o fundamento da “suposta” proteção
de “supostos” valores pessoais feridos, faz o interno do ser reagir
compelindo-o a experimentar amargas sensações. Além dela, o amor próprio, o
rancor, o egoísmo, teimosia, formam um
“kit” de defeitos do caráter que se unem para, supostamente defender a “honra”
ferida. Alimentados, pela falsa humildade, pelo exagero, vão se acumulando
pensamentos afins aumentando, insuflados
pela imaginação a “suposta” gravidade da ofensa. Referidos defeitos impedem o ser
de compreender a realidade fazendo-o viver num mundo de angústias e amarguras
como se a causa de seus incômodos, lhe
impedissem de ser feliz. São tão contundentes os argumentos internos
que não percebe o ser, que seus valores, virtudes não foram, não podem e jamais
serão atingidos por um isolado julgamento, manifestação alheia. A consciência
do correto proceder, do dever cumprido, são pilares sustentadores da harmonia
interna, e, portanto, jamais serão abalados por interferência alheia.

