Inegavelmente, a busca mais incessante do ser humano é a felicidade. No entanto, embora a pretensão, pouco fizemos ou atentamos para quais elementos precisamos cultivar para que, de fato, o objetivo seja alcançado. Primeiramente, temos dificuldades em conceituar o que seria a felicidade, ou seja, se é um lugar, um estado, uma modalidade ou característica. Normalmente, associamos a felicidade a alguma conquista material, o carro, a casa, a viagem ou ainda relegamos o objetivo para mais tarde, na aposentadoria, como se trabalho fosse sinônimo de amargura e inércia de felicidade. Penso que a felicidade está diretamente ligada com os conceitos e objetivos que traçamos para a vida. É um estado interno, íntimo de satisfação, reconhecimento consciente de que os pensamentos, as palavras e os atos que pronunciamos estão de acordo com o que traçamos como metas a serem atingidas. Tal estado, somente é atingível quando o mais intimo do pensar e do sentir do ser, reconhecem e aprovam os comportamentos, atitudes, condução da vida rumo á construção de um ser melhor. Portanto, felicidade não se coaduna com imaginação, tampouco com as distrações do mundo externo ou ainda com as conquistas materiais. Evidente que, de acordo com o esforço e merecimento de cada um, os avanços no campo econômico propiciam melhores condições para a conquista, no entanto, o segredo está no mundo interno. Como seria triste, infrutífera e insignificante a vida se tudo o que fizéssemos durante o percurso tivesse apenas um objetivo, ou seja, de alcançar no final dela a felicidade. O segredo está em estabelecer objetivos para a vida, não somente no campo material, mas, especialmente, no mundo interno, planejando e construindo um ser melhor, pensando em como gostaríamos que fossemos lembrados após a morte, quais os elementos queremos deixar para ensinar e ajudar os outros a serem mais felizes. Traçados os objetivos, conceituada a vida, outro segredo é ser grato, cultivar a gratidão, gratidão a tudo o que vivemos, desde os acontecimentos mais felizes e até os outros, pois todos eles fazem parte da vida e são úteis para aprendermos, melhorarmos. Se ao invés de reclamar, tivéssemos o habito de receber tudo com gratidão, os problemas ficam menores, são facilmente resolvidos e superados, a vida fica mais doce, e, portanto mais feliz. O cultivo de virtudes, humildade, serenidade, afabilidade, caridade, o afastamento dos defeitos, vaidade, amor próprio, do rancor, são indicações do rumo a ser seguido. Feito isso, a vida se transforma, a felicidade deixa de ser algo distante e passa a ser sentida e vivida a cada instante, e, ao invés de relegar para o final do percurso, passa a presidir a caminhada enquanto andamos, desfrutamos e curtimos a paisagem.







