
No percurso da vida, inúmeras são as oportunidades de desfrutar de encontros, contatos, convivência com os demais seres. Em que pese a impossibilidade de pensar a existência do ser humano sem o convívio com os demais, tais relacionamentos, geralmente, não são aproveitados, ou seja, não se busca neles, entendimento, convergência, oportunidade de compreender, de encontrar idênticas características, tendências etc. A convivência conscientemente aproveitada é àquela em que, através da observação, procuramos no outro elementos que nos faltam para completar, melhorar a nossa figura, ao mesmo passo que se pode diagnosticar características negativas que nos permitirão não cultivá-las. Embora a importância dos contatos com os demais, o grande objetivo da vida é, na verdade, permitir, oportunizar o grande e decisivo encontro, qual seja o encontro consigo mesmo. Todo percurso desta magnífica oportunidade que é viver, objetiva, exclusivamente, que o ser humano, consiga desfrutar da maior de todas as alegrias que é conhecer as maravilhas do próprio mundo interno. Por mais que busque o ser, distrair-se com os incontáveis atrativos do mundo externo, seja na atividade profissional ou lazer, o refúgio, único lugar em que é possível encontrar a paz, serenidade é o sublime desfrutar do encontro consigo mesmo. Independentemente do conforto, acomodações oferecidas pelo lugar que habitamos “lar”, não há viagem, período de férias, que o retorno, reencontro com o seu “cantinho”, não propicie grata satisfação. Assim também o é com o mundo interno, não há distrações do mundo externo que serão capazes de nos propiciar sensações duradouras de felicidade. A única e verdadeira felicidade é àquela que emerge do seu mundo interno, quando o encontro consigo mesmo é natural, sem enganos nem artifícios, quando nos vemos como efetivamente somos, sem vaidade nem amor próprio. Esse encontro entre o ser e seu verdadeiro mundo permite conhecer suas potências, virtudes e defeitos. Não há energia maior que a que emana das profundezas do ser, da consciência do dever cumprido, da grata satisfação pelas adequadas condutas. Mas, para que isso se torne possível, é preciso querer encontrar-se, e tal querer implica em conhecer o ser verdadeiro e não àquele, cuja figura imaginamos, normalmente, muito melhor e mais perfeita daquela que efetivamente é. Quando se conhece o conteúdo interno, defeitos e virtudes, é possível saber com quais ferramentas se conta para o manejo da vida, colocando-se adequadamente em cada uma das circunstâncias, não nos separando do que efetivamente somos, oferecendo, por conseqüência no mais íntimo dos encontros o desfrutar da felicidade.
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