
Desde o instante em que acordamos até o momento que dormimos, permanecemos, incessantemente, proferindo julgamentos. Todos os acontecimentos externos ou internos são objeto de análise e de veredictos, ou seja, de juízos a respeito. Assim, ao acordar, tendo em conta as tarefas que teremos que desenvolver, julgamos, como será o nosso dia. Da mesma forma, nos contatos com os demais seres, qualquer manifestação é objeto de avaliação e de juízos sobre o que foi dito, sua intenção etc. Julgamos também, muito especialmente, os comportamentos dos outros, em relação aos encaminhamentos dos acontecimentos da vida. Neste contexto, julgamos a educação dos filhos dos outros, como cada um encara suas dificuldades, como soluciona seus problemas, sejam profissionais, pessoais, familiares etc. Natural seria, a observação, análise de tudo o que nos rodeia, desde que destinada ao melhoramento individual, que sempre servisse para o aperfeiçoamento pessoal, ou ainda que tivesse como objetivo, de alguma forma, colaborar para melhor encaminhamento dos aspectos analisados. No entanto, não é isso que ocorre, geralmente, e quase exclusivamente, as observações e julgamentos são feitos com objetivo de crítica, de depreciação da conduta e de enaltecimento dos atributos próprios. É comum superestimar os atributos individuais e depreciar o comportamento dos outros, sempre se auto atribuindo, os melhores conceitos. O que não se dá conta o ser é que, tudo o que julga, o faz com base nos conceitos, qualidades, conhecimentos, virtudes ou defeitos que o próprio possui. Os juízos, as razões, os subsídios utilizados para julgar são o conteúdo do próprio ser, assim, os pensamentos que governam, ou prevalecem na mente são os encarregados de decidir á cerca de tudo o que é avaliado. Por isso, àquele ser que tudo julga sob a ótica do econômico, sempre procurando levar vantagem em tudo, não consegue, não detém qualquer elemento para proferir outro julgamento que não seja ligado a tais interesses. Ou ainda, àquele que sempre objetiva enganar os outros, sempre concluirá que, em qualquer contato com os demais, o propósito será de enganá-lo. Assim, em todos os campos da vida, tudo o que é objeto da análise e conclusão terá estrita e obrigatória ligação com o conteúdo moral e intelectual do ser. O ignorante julgará tudo o que vê com os parcos entendimento que possui, assim, o mais ilustrado, certamente proferirá um juízo melhor sobre o mesmo ponto. Não importa o ângulo de julgamento, julgaremos com o que possuímos, com o que somos, com os elementos que fazem parte do nosso ser. Por isso, é necessário cuidar dos juízos, observá-los, encontrar neles, identificações com características que fazem parte do nosso ser e que normalmente escondemos ou acreditamos não possuir. Ciente disso, feriremos menos porque compreendemos que àquela é a nossa versão que pode não ser a real, sofreremos menos porque a conclusão que tiramos é apenas um ponto de um fato que pode ser visto por milhares de ângulos.
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