
Mesmo intuindo que a vida é muito
mais que os limitados alcances do complexo físico. Mesmo com tantos discursos,
propondo religar o homem a outro mundo. Poucos
são os que, de fato, possuem conhecimentos que permitem compreender, conhecer,
sentir e saber da vida espiritual. É que, de longa data, tem nos sido inculcado
que referido mundo deve ser terceirizado, ou seja, que a responsabilidade para
tão transcendente tarefa seria de competência de outros. Por conta disso, fomos
aos poucos nos distanciando da essência, deixando de cultivar os necessários
atributos que permitam estabelecer ligação. Impossível imaginar que a vida é
fruto do acaso. Impossível imaginar que todo esse mecanismo perfeito chamado
cosmos também decorre do nada. Impossível imaginar que a vida humana limita-se
a este pequeno espaço de tempo em que o físico persiste. Impossível explicar
das nossas diferenças, identidades, afinidades e antagonismos sem imaginar algo
além do físico. Impossível compreender de nossas predileções, tendências,
facilidades. Impossível compreender dos sonhos, dos inexplicáveis
acontecimentos, das ligações com nossos semelhantes. Impossível explicar as
sensações de plenitude que experimentamos em alguns momentos, de extensão da vida,
das respostas brilhantes que acessamos, sem pensar na existência de outro mundo. Em
que pese tratar-se de outro mundo, o acesso a ele é tarefa individual. Ocorre
que as chaves para o mundo do espírito estão no mundo interno, somente o próprio ser pode construir as credenciais que
lhe permitem descobrir os segredos. Referidas credenciais são a conduta
meritória, elevando pensamentos e sentimentos, tornando-se um ser melhor, mais
humano, mais Divino. Elevando-se, as portas do mundo transcendente vão se abrindo,
na exata medida em que a compreensão e o merecimento permitem. Recordar, a cada
instante, que a vida física é perecível
e que voltaremos ao mesmo local de onde viemos é um belo começo para cuidar
mais do que restará além da tumba.


