Mesmo sendo a vida o maior
patrimônio a ser preservado, conhecido e cultivado, pouco ou nada sabemos dela,
tampouco nos empenhamos na busca de respostas.
Prova disso é a ausência de conceito. Se formos questionados, neste
instante, a responder o que é a vida, qual seria a resposta? Muitos diriam que
viver é ser feliz sem se dar conta de que não sabem o que é a felicidade e ou
onde e como encontra-la. Outros responderiam que viver é ter dinheiro, viajar,
sem perceber que cada segundo é um fragmento que esta passando e que não
voltará jamais e que desse aproveitamento é que se constrói a vida. Além disso,
não existe vida sem luta, sem trabalho, superação, pensar o contrário é se
colocar no mesmo lugar dos minerais que permanecem imutáveis ao longo do tempo.
Na verdade, a vida e sua dimensão estão diretamente relacionadas com a capacidade
de estabelecer vínculos, construindo sinais da existência que permanecerão além
da morte. Referidos sinais são construídos primeiro dentro de cada um através
da ligação, registros do vivido.
Registrar o vivido depende de consagração íntima, do pensar e do sentir atuando
em uníssono com a participação da consciência. Assim de nada adianta a mais
cara viagem, o mais importante encontro se os momentos vividos não forem
sentidos no fundo da alma, se não tocarem no íntimo do ser, fazendo vibrar,
perceber, sentir o que está sendo vivido. De nada adiante ter uma bela família
se os momentos vividos não forem capazes de tocar, estender entre seus membros
as mesmas sensações. Passar os dias e as noites sem que fique registrado um
único momento é como se não os tivesse vivido. Portanto, é preciso refletir
sobre a amplitude desta grande oportunidade, daquilo que efetivamente importa
para não reclamar depois do vazio, da dor de não encontrar e não deixar nada,
nenhum sinal, seja no mundo interno seja no externo de que de fato passamos por
esta dimensão.
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