Vivemos uma vida mecânica com repetições de hábitos, afazeres, pensamentos e sentimentos. Em que pese isso, vez em quando, à consciência ou acontecimentos álgidos que nos tocam, cobram uma mudança nos rumos, no entanto, logo em seguida a rotina é retomada. Somos propensos ao fácil, ao comodismo, arredios á mudanças, preferimos sofrer com nossos defeitos do que encontra-los, identifica-los e eliminá-los. Por conta disso, padecemos da doença do vazio, vemos o tempo passar e muito pouco de sólido, decisivo, que efetivamente nos encha de orgulho e satisfação, fizemos. Os sonhos são postergados, o reconhecimento á todos àqueles que nos são caros permanecem escondidos, aguardando, quem sabe, um triste acontecimento para serem manifestados, pensados, sentidos. Por conta dessa tendência humana, precisamos de um choque de realidade para que, de fato, façamos, todos os dias, àquilo que deveríamos fazer. Penso que uma bela forma de fazer a vida diferente, seria, termos sempre presente que estamos vivendo o último dia. Se assim pensássemos como nos conduziríamos no trabalho? Na vida social? Na família? Conosco mesmos? Seriamos tão exigentes, críticos? Encontraríamos tantos defeitos, problemas? Sofreríamos tanto por pequenos detalhes que nenhuma importância possui? Passaríamos o dia correndo sem perceber se existe sol, chuva, se temos estrelas, lua? Como seria o encontro com um amigo? E com um amor? Com os pais ou com os filhos? O que diríamos? Como nos comportaríamos? Recordaríamos de Deus? Embora façamos de conta que somos imortais, propositadamente, esquecendo da morte, penso que tal exercício seria uma bela forma de fazermos àquilo que efetivamente deveríamos fazer. Ou ainda como deveríamos ser, qual o comportamento ou conduta adequada. Viver cada dia como se fosse o último ao contrário do que se propala, implicaria em dedicar o precioso tempo a cultivar valores que nos dignificam, que possam ser lembrados depois como sinais de uma vida que deixou algo para servir de exemplo, de luz para iluminar outros que por aqui passarem. A luz das virtudes, da gratidão, do amor, da humildade ilumina e faz feliz, primeiramente ao próprio mundo interno, e depois pelos caminhos de todos os que amamos.
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