sábado, 9 de março de 2013

O tempo e a vida





 
 Dentre as  tantas analogias que podem ser feitas sobre a vida, uma das mais contundentes, sem dúvida,  é que tempo é vida. Em que pese a inegável convicção á cerca da analogia, a vida continua passando e pouco ou nada modificamos em nossa maneira de vivê-la. Quando somos crianças, queremos logo ser jovens para ampliar a  suposta liberdade, decidir sobre o que e como fazer, “curtir a vida”. A juventude chega e então passamos a querer logo a formação profissional a conquista da independência financeira, para daí,  então “viver a vida”. Então nos casamos, constituímos uma família, corremos atrás do conforto, da segurança, desejamos e conquistamos uma das maiores preciosidades humanas, “os filhos”. Eles chegam, enchem nossa casa, mas dependem de atenção integral, são frágeis, inseguros, limitam nossa liberdade. Passamos então a desejar que cresçam para podermos recuperar a liberdade que perdemos. O tempo, “vida” passa,  e lá se vão nossas  crianças traçando o mesmo caminho que passamos. A casa volta a ficar vazia, sem choros, chamados de “papai, mamãe”,  e então queremos voltar no tempo. Desejamos que eles voltem a ser crianças só para curtir àquele cheirinho de bebê, o riso fácil, a pureza, doçura. Desejamos que voltem a ser crianças só para tê-los alí, ao nosso lado, sem preocupação com os perigos da vida lá fora. E, assim vamos nós, sempre querendo  mudar a lei do tempo, ou desejando o futuro, ou pretendendo o passado. Se, de fato,  soubéssemos que tempo é vida, tais acontecimentos não ocorreriam pois   teríamos a certeza de que  àquele momento foi vivido com toda intensidade, e que ficou registrado na consciência. No entanto, tal não ocorre, sofremos porque não desfrutamos, como deveríamos,  daquele momento, escassos são os registros, estávamos preocupados com o futuro, e hoje, com o passado.  Quando o ser humano se der conta de que o tempo é vida, o momento será valorizado, vivido em toda intensidade, e já não incorrerá no erro de querer voltar ao passado.

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