Dentre as tantas analogias que podem ser feitas sobre a
vida, uma das mais contundentes, sem dúvida, é que tempo é vida. Em que pese a inegável
convicção á cerca da analogia, a vida continua passando e pouco ou nada
modificamos em nossa maneira de vivê-la. Quando somos crianças, queremos logo
ser jovens para ampliar a suposta
liberdade, decidir sobre o que e como fazer, “curtir a vida”. A juventude chega
e então passamos a querer logo a formação profissional a conquista da
independência financeira, para daí, então “viver a vida”. Então nos casamos,
constituímos uma família, corremos atrás do conforto, da segurança, desejamos e
conquistamos uma das maiores preciosidades humanas, “os filhos”. Eles chegam,
enchem nossa casa, mas dependem de atenção integral, são frágeis, inseguros,
limitam nossa liberdade. Passamos então a desejar que cresçam para podermos recuperar
a liberdade que perdemos. O tempo, “vida” passa, e lá se vão nossas crianças traçando o mesmo caminho que
passamos. A casa volta a ficar vazia, sem choros, chamados de “papai, mamãe”, e então queremos voltar no tempo. Desejamos
que eles voltem a ser crianças só para curtir àquele cheirinho de bebê, o riso
fácil, a pureza, doçura. Desejamos que voltem a ser crianças só para tê-los
alí, ao nosso lado, sem preocupação com os perigos da vida lá fora. E, assim
vamos nós, sempre querendo mudar a lei
do tempo, ou desejando o futuro, ou pretendendo o passado. Se, de fato, soubéssemos que tempo é vida, tais
acontecimentos não ocorreriam pois
teríamos a certeza de que àquele
momento foi vivido com toda intensidade, e que ficou registrado na consciência.
No entanto, tal não ocorre, sofremos porque não desfrutamos, como deveríamos, daquele momento, escassos são os registros,
estávamos preocupados com o futuro, e hoje, com o passado. Quando o ser humano se der conta de que o
tempo é vida, o momento será valorizado, vivido em toda intensidade, e já não
incorrerá no erro de querer voltar ao passado.
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