Se olharmos às milhares de
fisionomias perdidas na multidão, não importa a região do planeta, a formação,
as crenças, o nível econômico, veremos que,
poucas são as efetivas diferenças. No fundo, buscamos os mesmos
objetivos, temos as mesmas tendências, afinidades, desejos, objetivamos, as mesmas conquistas. Se tivéssemos a
capacidade de nos elevarmos acima de
todos os montes, constataríamos que somos como um grande formigueiro, correndo
para todos os lados, para ao final, buscar abastecer, com o máximo de conforto, o próprio ser e seus afins. Nesta correria,
veríamos que inúmeras formigas vão ficando pelo caminho, enquanto as outras fazem de conta que nada
veem. E quem continua na correria, acredita, cegamente, que é o centro do mundo, que, quando faltar, todo formigueiro sentirá sua falta, que seus
valores, virtudes, acúmulos materiais serão lembrados para sempre como uma
grande obra para a humanidade. Não importa o cargo, o poder econômico, as
influência, todos, no seu íntimo, atribuem-se os melhores conceitos, acreditam
na superioridade sobre o semelhante. Mesmo não alcançando as mesmas conquistas,
apontam nos outros, as razões dos seus fracassos, das suas
tristezas, amarguras, infelicidades. Muito poucos são os que, verdadeiramente,
se detém a analisar, sem pré-conceitos o
que, possuem em valores, virtudes,
defeitos, ou seja, o que de fato é. O natural é se auto atribuir virtudes que
não possuímos, enquanto aos outros são oferecidos os piores conceitos, neles
vemos milhares de defeitos, que os fazem feios, inferiores, não merecedores de
tudo o que acreditamos merecer. Quando não conquistamos, os culpados são os
outros, atribuímos a todos, inclusive a
Deus a responsabilidade pela injustiça
de não nos entregar tudo o que, acreditamos, teríamos o direito de possuir. Assim vivemos,
julgando o semelhante, e forjando um ser interno que não existe. Neste
contexto, àqueles que, detém a capacidade de olhar para dentro, reconhecer suas próprias
carências, dificuldades, defeitos, certamente, serão os que alcançarão êxitos em suas
empreitadas. Já àqueles que confiam na sua própria perícia,
não conseguem, vislumbrar as pedras no
caminho, as miragens que nos enganam, a ignorância que não permite diferenciar
a verdade do erro. Por tudo isso, o que nos faz diferentes é a humildade em
reconhecer as próprias fraquezas, os erros, aprender com eles, buscar não
repetir, saber que nunca somos tão sábios que nada temos para aprender,
tampouco tão ignorantes para ensinar. Assim, quanto mais formos capazes de
conceber a vida como um grande aprendizado, sempre vendo no outro uma
oportunidade de evoluir, reconhecendo seus valores, vendo também os defeitos
apenas para corrigir os próprios, mais nos diferenciaremos uns dos outros.
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