Embora a importância dos olhos físicos, aos quais atribuímos, normalmente, o poder de observar, distinguir, julgar, discernir, razonar sobre tudo que nos rodeia, será fácil perceber que, em que pese a inegável importância do sentido, é ele, apenas parte do mecanismo que propicia a interpretação. Muitas vezes já ouvimos falar de que “julgamos com o que possuímos internamente” e que dependendo do estado mental, psicológico e sensível serão as interpretações dos acontecimentos que nos envolvemos. No entanto, poucas vezes, paramos ou nos dispomos a refletir sobre a verdade referida, mesmo sendo ela de crucial importância. É inegável que o mesmo fato, imagem, acontecimento recebe dos diferentes seres humanos, interpretações e conclusões diversas. É que, além dos estados psicológicos e sensíveis diferentes, o capital “conhecimento, saber” também não é igual. Por conta disso, mesmo que imagine o ser, ter extraído da visão todas as informações necessárias, possíveis e úteis a fim de produzir sua conclusão, apenas parte ínfima do conjunto de elementos que compõe o fato foram visualizados, ouvidos, sentidos, tateados, olfatados. E, na medida do capital inteligente (entendimento), acumulado ao longo da vida será a precisão da interpretação. Portanto, a cada acontecimento, visão, é preciso recordar que o veredicto produzido é limitado, impreciso, inconcludente, imperfeito fruto dos limitados conhecimentos acumulados. Os olhos da vida dependem, portanto, da faculdade de entender, a qual está limitada ao grau de desenvolvimento de todos os sentidos, especialmente, daqueles que transcendem o saber comum.
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