
- Muitas vezes me pego pensando no sabor da vida, qual é o gosto que ela tem. Vejo, constato que, no meu dia os sabores vão se alterando entre doces, amargos ou azedos. Vejo também que todos os sabores, intensidades, doses são de responsabilidade e cultivo individual. Ou seja, sou eu mesmo quem dito, determino o que vou saborear. Em que pese às noções de responsabilidade, rotineiramente me esqueço, sou vencido por pensamentos ou sentimentos negativos (deficiências) que me conduzem e propiciam estados diversos. É evidente que no mundo globalizado, socializado, familiar que vivemos, muitos fatores externos acabam interferindo e ou produzindo motivos para que o estado interno seja alterado, ou seja, para que o sabor da vida se modifique. Mesmo assim, o sabor do instante vivido é fruto da decisão individual, do controle do estado psicológico e sensível, de como são recebidos, administrados e encarados os acontecimentos. Prova de que o sabor da vida é responsabilidade individual são os inúmeros seres que conhecemos e convivemos, uns doces, felizes, serenos, amigos, outros amargos, ranzinzas, intolerantes e impacientes ou àqueles azedos que de longe sentimos e percebemos exalando a repugnante fragrância. O mesmo fato, dependendo do sabor é recebido, vivido e interpretado de forma diversa, para o doce, o tombo é motivo de riso, para o amargo de blasfêmia, a dificuldade para o doce é motivo de aprendizado, superação, para o azedo de reclamação, o choro de um filho para o doce é motivo de alegria de poder tê-lo ao seu lado, de abraçar, consolar, senti-lo, para o amargo de indignação pela quebra do silêncio. A brisa para o doce é forma de sentir Deus, a vida penetrando nos pulmões, para o amargo de reclamação pelo cabelo que despenteou etc. O sol para o doce é motivo de vida, energia, alegria, para o azedo de rancor pelo seu calor ou luz. Assim também em relação a chuva, a visita de um amigo, a convivência com tantos seres diferentes. Evidente, portanto, que o sabor da vida é responsabilidade individual o doce, o amargo ou o azedo são oriundos do mundo interno do qual é possível ser o único dono.
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