Embora sentir a vida dependa mais do coração do que da mente, crescer, amadurecer, tem implicado em secar essa preciosa faculdade. Por quais razões, ao invés de aumentar a capacidade de atuação desta faculdade, vamos aos poucos secando? Quais as consequências para a vida da ausência de sua atuação? Como resgatá-la, fazê-la voltar a atuar? Se recordarmos de nossa infância, adolescência, encontraremos inúmeros momentos em que o coração bateu forte, que desfrutamos de inefáveis sensações de bem estar, de alegria, que continuam impregnadas e até hoje nos fazem vibrar. Com o passar do tempo, com o encaminhamento da vida profissional e familiar, estes belos momentos vão se tornando mais escassos, poucos são os instantes registrados. Parece que as preocupações com a vida econômica, segurança pessoal e familiar absorveram toda vida, impedindo que, possamos, por alguns momentos, apenas sentir e desfrutar do instante sem qualquer interferência de fatores estranhos. Penso que a causa deste secar, decorre, exatamente, das dificuldades, em consagrar, dedicar, ao instante vivido todas as energias, os pensamentos e sentimentos sincronizados na observação e desfrutar do momento, deixar que ele nos contamine, nos embriague com sua magia e força sem nenhuma interferência estranha. Por outro lado, sentir o som do coração, depende de pureza no pensar e no sentir, depende de pensamentos e sentimentos elevados, sem mesquinhez, vaidades, amor próprio, é entregar-se. O som do coração só é sentido quando conectada a vida interna com o fato, imagem, acontecimento, pensamento, pelo fio invisível do amor, amor em sua mais elevada expressão de bem. É possível fazer, refazer essas ligações, quem sabe recordando do nascimento do filho, daquele primeiro olhar, toque, com o marido, esposa, daquela bela imagem de por ou nascer do sol, da noite estrelada, da lua cheia. Fica o convite para ouvir aquela bela melodia, sozinho ou acompanhado, deixando o silêncio levar até seu próprio coração, respirando e sentindo o oxigênio chegando aos pulmões, percebendo que, efetivamente a vida pulsa, o coração bate e ainda podemos sentir.
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