Quem sabe uma das maiores buscas do ser humano ao longo da existência foi ampliar o percurso da vida física. Na melhora das condições alimentícias, habitacionais, avanços da medicina, nos controles e curas das doenças, dedicou e continua dedicando o homem seus maiores esforços. Pretendemos ampliar a vida vivendo mais tempo. Se olharmos no passado, os mais abastados, investiam verdadeiras fortunas na construção de rituais, lugares que, segundo compreendiam, lhes oportunizaria ampliar a vida. Imperioso então questionar: Viver mais tempo implica, necessariamente, em ampliar a vida? É o tempo que caminhamos ou as imagens que captamos e registramos que importa? A felicidade possui alguma relação com o tempo de vida? Cada um pode, ao avaliar seu percurso, responder, quantos instantes, de fato, se mantém registrados. Por outro lado necessário analisar o percurso e ver quanto tempo foi assassinado, (matando tempo e vida), nada aproveitando, como se não existisse. Parece inegável que a dimensão da vida é tarefa individual e que não necessariamente está ligada ao tamanho físico do percurso e sim com a capacidade de desfrutar da caminhada. A vida pode se restringir a um problema do cotidiano, (falta de dinheiro, da conquista do bem material, dos incômodos profissionais, da convivência turbulenta), ou pode ser vista, sentida, pensada, tocada com os olhos da gratidão por tudo o que nos é dado aprender. Os limites da vida são uma atribuição exclusivamente individual, podemos reduzi-la aos limites da ignorância ou amplia-la por conta da sabedoria. Quando mais sábios na condução, mais ampliamos, estabelecemos contatos, deixamos marcas, sinais luminosos que além de nossas próprias vidas irão colaborar com a dos demais. Assim também podemos restringi-la, produzindo escuridão e amargura não somente a nós senão aos demais que nos rodeiam. Um instante vivido intensamente representa mais que cem anos de anos de inconsciência. Nenhuma importância terá ampliar o período físico se a mente e o coração não souberem dominar, valorizar a essência da vida que é o tempo, dedicando a cada fragmento o valor que efetivamente merece.
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