Muitas são as oportunidades que, tocados por uma imagem, som, palavra, abraço, beijo, somos levados à reviver instantes vividos. Que manifestações são estas? Seriam pensamentos ou sentimentos? O que significam? Quais suas origens? Penso que tais acontecimentos são uma grande comprovação de que vivemos, de que, de fato, cumprimos com o grande objetivo da caminhada que é estabelecer vínculos com pessoas, lugares e com a própria mente universal. Sentir saudades é fazer presente momentos que efetivamente vivemos, tocamos ou fomos tocados, vibramos. Estes instantes, somente permanecem registrados na consciência porque foram condensados no coração, ou seja, porque mente e coração, efetivamente, atuaram em uníssono, consagrando o momento. Esta grande oportunidade que recebemos, foi nos dada, exatamente, para que façamos dela uma grande obra, e esta obra só se concretiza se, de fato, conseguirmos registrar na consciência o palpitar da vida. O que nos faz sofrer é o fato de que, desaproveitamos muitas oportunidades, não valorizamos o amigo, o filho, o pai, o irmão, e, depois que nos separamos, sofremos por não termos dito o que queríamos, por não ter abraçado, beijado, ou por não ter dado atenção ao sofrimento do outro, aos valores que possuía, por não termos convivido mais. Sofremos também por não poderemos voltar no tempo e fazermos aquilo que, neste momento pensamos, deveríamos ter feito. Penso que tudo o que vivemos são oportunidades para crescer, melhorar, compreender a vida, conduzi-la melhor. Então, que a saudades sirva para nos mostrar que vivemos, vibramos, aprendemos, sentimos, estabelecemos vínculos, tocamos e fomos tocados. Que a saudades sirva para nos trazer presente a necessidade de sermos mais conscientes, de aproveitarmos as oportunidades, dizer o que gostaríamos de dizer, abraçar, beijar, dizer o quanto o outro é importante em nossa vida, tolerar mais, ser paciente, compreensivo. Cultivar a gratidão a vida, ao semelhante, a Deus a essa grande dádiva, é cultivar futuras gratas manifestações de Saudades.
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