domingo, 28 de outubro de 2012

As verdades



 
Nesta luta incessante que travamos, seja no mundo interno, seja no externo, nas relações com os demais,  sofremos, incessantemente,  influxo de supostas “verdades”. Assim agimos conosco mesmo, onde, criamos motivos, justificativas para os mais desatinados atos que cometemos. Sob o argumento da verdade, procurou-se impor  que apenas uma raça humana deveria prevalecer. Sob o argumento da verdade, as crenças mataram, ao longo da existência  muitos dos  que ousassem divergir de suas prédicas, sacrificando  brilhantes mentes. Sob o argumento da verdade, governantes, políticos mantém-se no poder com uso das práticas mais vergonhosas de corrupção e bandidagem. Sob o argumento da verdade,  detentores dos meios de comunicação,  impõe suas vontades, omitindo,  aspectos decisivos na busca única e exclusiva de dividendos próprios. Sob o manto da verdade, criam-se fatos, forjam-se outros,  desvirtuam-se,  segundo sejam os  interesses pessoais.  Embora flagrante tais comportamentos, por conta da ignorância,  muitos são enganados por pouco ou muito tempo. Evidentemente que todo erro tem seu preço, muitas vezes, custa a própria vida, o sucesso econômico, a destruição de família, laços, conceitos, amizades. Amargos são os preços pagos pelo indivíduo, grupo, coletividade, fruto da incapacidade de saber onde está a verdade e onde está o erro. Importante atentar que a verdade não se oculta nem se impõe, emerge, floresce no fundo da alma fruto de profundas e fundadas reflexões. Portanto, toda vez que, independente da forma, meio,  houverem tentativas de impor  verdades, estas, de plano,  deixarão de ser, devendo serem refutadas, rechaçadas sob pena de causarem as consequências danosas do erro. É que as supostas “verdades” são fruto de opiniões pessoais, sempre vinculadas a tendências, preferências, pré-conceitos, interesses próprios,  jamais abarcando toda dimensão do fato. Desta forma a verdade, depende para ser assim considerada da união de vários outros fragmentos, propositadamente ou por ignorância,  omitidos.  Assim sendo em que pese o constante uso do termo,  imprescindível  duvidar, estabelecer reservas sempre que, por alguma forma houverem tentativas de impor “verdades”, impedindo o livre exercício das faculdades e a formação de um juízo de valor que contemple suas inúmeras facetas.

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