terça-feira, 9 de outubro de 2012

O perdão e o erro




 

Inúmeros são os equívocos conceituais  responsáveis por muitos erros e, portanto, afastando, dificultando e impedindo a evolução humana. No caso em apreço, busca o artigo provocar reflexões sobre o perdão, sua equivocada concepção e consequências decorrentes. De longa data,  tem sido inculcada ideia de que errar é humano e que, basta arrepender-se e pedir perdão que se alcançará a redenção. Primeiramente,  cumpre refutar  a afirmativa asseverando que acertar é humano e que todo erro decorre da ignorância das falhas de caráter. Por outro lado,  o arrependimento é um pensamento atrasado que não tem o condão de isentar, minimizar  e ou liberar o infrator de suas falhas. Ao contrário,  o arrependimento, normalmente,  está relacionado com momento álgidos de intenso sofrimento,  cujos propósitos,  superado o estado de angústia são esquecidos. Ademais, o único beneficiado com o perdão é aquele que, embora injustamente molestado com o ataque, consiga superar, internamente o mal sofrido, relevando, compreendendo, resignando-se. No entanto, o responsável pelo erro, pelo mal feito, jamais pode ser eximido de seu ato pelo simples fato de pedir perdão. Inconcebível imaginar, que  num sistema harmônico, perfeito, permitisse o criador que, bastaria pedir perdão que as faltas estariam superadas, autorizando a retomada dos erros,  para depois, novamente, pedir perdão, tantas quantas fossem necessárias. Definitivamente não, todo erro cometido somente pode ser saldado, pago, minimizado  pelo seu próprio autor, nenhum outro ser detém o poder, capacidade, de eximir um semelhante de suas faltas. O caminho da redenção é a conduta meritória, cultivando pensamentos, sentimentos elevados,  é,   como àquele que salda uma dívida, que vai aos poucos creditando em sua conta,  acertos, superações, virtudes. O arrependimento válido é àquele que nasce no fundo da alma, fruto de reflexões profundas, que não se transforma em palavras e sim em mudanças  comportamentais. Tivesse a espécie humana,  adotado esse conceito, não viveria na penúria moral, angustiante, tampouco sofreríamos as agruras dos trágicos acontecimentos, dos ataques físicos e morais, do abandono, dos sucessivos erros.

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