Em que pese a contundência dos
argumentos, a certeza do correto juízo,
da adequada e inequívoca avaliação, é preciso lembrar, sempre, que
julgamos como nossa própria régua. O julgamento é uma constante na vida de cada
um, cada movimento, fato, circunstância merece, após cotejo de elementos
internos a produção de um juízo. Este juízo é o que nos direciona, impulsiona a
tomar esta ou àquela decisão, a caminhar para a esquerda ou para a direita
a manifestar este ou àquele pensamento ou até silenciar. Por conta da “régua” individual, ou seja, dos
valores, conceitos, informações, tendências, propensões, afinidades,
divergências, conhecimentos, ignorâncias, o mesmo fato ou circunstância recebe,
de cada um, distintas avaliações. Isso
ocorre desde os acontecimentos mais graves até os de menor importância. Se
olharmos um fato trágico sob o ângulo de
seu autor, familiares, amigos ou outros que por alguma razão com ele se identifiquem, veremos que o veredicto será
totalmente contrário ao daqueles que foram vítimas bem como dos que comungam dos mesmos
conceitos e valores. Assim o comportamento de um filho sempre será avaliado por
seus pais influenciados pelo amor,
afeto, relevando e compreendendo, enquanto o estranho com sua rigidez produzirá
outra sentença. Assim também ocorre com os próprios, atos, pensamentos e sentimentos, que, sempre
encontram no interno do ser as mais variadas justificativas, motivos, razões
para amenizar, isentar, redimir. Mesmo ciente disso, vivemos querendo incutir
no outro as razões do juízo próprio como
se ele fosse o único aceito, a verdade suprema que não pode e não deve ser
contestada. Portanto, é preciso aprender que ninguém, jamais será dono absoluto
da verdade e mesmo que grande parte das
razões estejam de um lado, ainda
assim, restarão outras da qual se depende para compreender o
todo. Portanto, todo àquele que procure incutir ideia de que é
detentor da razão, principia por desprezar inúmeros outros elementos,
necessários a produção de um juízo verdadeiro. Ademais é preciso avaliar a régua do autor do
julgamento a fim de conhecer de suas qualidades, influências, tendências,
defeitos e virtudes.
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