Vivemos no mundo do complicar, dificultar, ampliar problemas. Se olharmos para os vários "problemas" que "supostamente" fazem parte de nossas vidas, será fácil constatar, que a grande maioria deles são insignificantes, mesquinhos e sem nenhuma importância para o futuro de nossa vida. No entanto, nos esforçamos para complicar, dificultar, proporcionamos a nós mesmos e aos outros sofrimentos desnecessários. Para tal constatação, basta tentar recordar dos acontecimentos que mais nos incomodam e sua relevância em nossas vidas. Tentar recordar o que nos incomodou ontem, na semana ou no mês passado e assim por diante, constataremos que, provavelmente, nenhum dos "supostos" problemas que nos incomodaram mereciam um instante de desgosto, sofrimento, que tudo foi fruto da imaginação, do rancor, da vaidade, do amor próprio, aliás é possível que sequer nos recordaremos deles. Dia desses, num diálogo com um amigo, daqueles que vive ocupado, que trabalha muito, que vive numa correria desenfreada e não tem tempo para pensar nele, me contava que as exigências do trabalho não permitiam que de lá saísse, mas que um jovem amigo seu havia falecido, vítima de acidente, e não poderia faltar ao cerimonial. Saiu pensando no quanto lhe fariam falta àqueles instantes longe do trabalho, dos inúmeros problemas que absorviam sua mente, participou e voltou. Constatou que quando voltou, os problemas haviam diminuído, àqueles inúmeros incômodos, havia desaparecido, ou minimizados, a vida tinha ficado mais leve, tudo era motivo para estar feliz, inclusive, e, especialmente, o poder de estar vivo. O que aconteceu, o que mudou? Mudou o conceito de vida, a dimensão dos "supostos" problemas foi devidamente recolocada dentro da amplitude que é a vida, deixando de dar a eles a importância que jamais tiveram ou terão. Certamente, cada um dos leitores terá, em sua vida, inúmeros exemplos de acontecimentos álgidos que lhe fizeram, por alguns instantes, perceber que a grande maioria dos "incômodos" da vida são insignificantes e que atrapalham porque assim o permitimos, alimentamos e deixamos que ocorra. O mal é que logo depois, passados algumas horas, voltamos a rotina, esquecemos do que nos prometemos, do que pensamos e sentimos como verdadeiro, duradouro e importante. Voltamos á complicar, ampliar, acontecimentos que não tem nenhuma relevância, que nos farão infelizes, amargos, os quais não mais nos recordaremos logo adiante, mas que servirão para fazer mal, e, assim outros da mesma índole e natureza continuarão nascendo e morrendo em nossas mentes e nossos corações, sempre interrompidos, por contundentes acontecimentos que, por alguns instantes, nos fazem perceber a verdadeira dimensão da vida.
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