domingo, 10 de julho de 2011

O cheiro da vida

Esse perfeito mecanismo humano é dotado de cinco sentidos, os quais, objetivam,  estabelecer contatos, fazer ligações com toda criação. Inesquecíveis são,  os momentos que desfrutamos ao ingerir algum alimento, quando nos dispomos a saboreá-lo,  seja em algo novo ou quando nos remete a alguma momento especial da vida,  a comida da mamãe etc, “paladar”.  Do mesmo modo, àquele toque  que nos faz ou fez arrepiar,  um abraço aos nossos entes queridos, um aperto de mão “tato”. Ou ainda a grandeza e a importância da “visão” em nossa vida, a permitir o desfrutar de magníficas imagens, o pôr do sol, o sorriso de um filho,  o brilho nos olhos, a chuva, a lua, as estrelas, o dia ou a noite,  a natureza em toda sua beleza e magnitude. Da  mesma forma, inegável do fascínio  e importância da audição. Quão marcante são momentos da vida que foram presididos por algum som, daquela música que quando ouvida,  novamente,  nos remete a instantes sublimes de recordação, seja de criança, na adolescência na juventude ou em qualquer fase. Em que pese todos esses canais de ligação do ser humano com a criação, vivemos a maior parte do tempo desligados, desconectados, num mundo distante,  onde predominam os pensamentos problemas, as reclamações, as angústias. O que precisamos fazer para desfrutar desses canais? Porque não os percebemos e ou esquecemos?  Penso que todas as potências do ser humano  pertencem ao mundo interno e só podem ser desfrutadas quando consegue o ser, ingressar em suas entranhas. Para que isso se torne possível, é preciso consagrar,  intimamente,  o instante, deixando de lado os pensamentos problemas, as lamentações, os rancores e tantos outros defeitos que  não nos deixam viver. O desfrutar de um sabor, de um som, de uma bela visão, do toque, não se torna possível quando, intimamente,  não dedica o ser,  toda sua atenção, consagração,  pensar e sentir no instante vivido. Difícil imaginar, sentir a vida, sem o olfato, o cheiro, que  dá sabor a vida, que mantém registros de fases, lugares, ambientes e momentos vividos. Em que pese sua importância na vida, já que permanente e incessantemente ingressam em nossos pulmões, porções de oxigênio, que são vida,  não nos damos conta de seu sabor, ou seja do sabor de viver. Sentir o cheiro da vida, implica,  ser grato a oportunidade concedida de respirar mais um dia, e, tal manifestação,  do pensar e sentir só  ocorre quando o querer interno, nutrido, alimentado com bons pensamentos e sentimentos permite. Portanto, o cheiro da vida, ou da morte, dependem,  exclusivamente,  de cada um, da dedicação e consagração intima que concede a esta grande oportunidade que é viver.  

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