
Diante das necessidades do mundo moderno, vivemos correndo, atrasados, tentando encontrar mais alguns fragmentos de tempo para atender a tantas demandas. Por conta disso, o veículo “vida” se mantém no câmbio automático, sempre numa velocidade elevada, que nada ou pouco permite o desfrutar da paisagem. Em virtude desta forma de viver, passam os minutos, as horas, os dias, os meses e os anos sempre da mesma forma, premidos por compromissos de toda índole, voltados para satisfação das exigências do mundo externo. No entanto, para a verdadeira vida, àquela que, nos identifica, nos conecta, com tudo o que nos rodeia, pouco ou nada de tempo dedicamos. Essa vida é àquela que se situa dentro do ser, ou seja, o conhecimento, controle dos pensamentos e sentimentos, e, especialmente, a conexão destes movimentos internos com tudo o que nos rodeia. A vida é ampliada na medida em que o ser, mantém ativa sua consciência, atenção e conexão constante com todos os movimentos, sejam internos ou externos. A velocidade é incompatível com o desfrute da paisagem, correr muito, significa não ver, pensar e sentir a grandeza, importância de cada gesto, palavra, silêncio, sorriso ou lágrima. Tudo passa sem que a vida, “mundo interno”, reflita, observe, conecte-se e amplie a grata satisfação de sentir-se parte da criação. A vida é ampliada na medida em que se dispõe o ser, a estabelecer o máximo de contatos mentais e sensíveis com tudo que nos rodeia, o cheiro, som, gosto, tato, olfato são canais, que, sem o uso da mente e do coração não atingem os objetivos para os quais foram criados. Ativar a mente e o coração, respirar, ser grato ás oportunidades, não as deixando passar em branco como se não tivessem existido, eis ai, uma grande homenagem á esta grande prerrogativa que é viver.
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