Se olharmos a evolução da espécie humana, especialmente, nos aspectos relacionados ao avanços no que chamamos “qualidade de vida”, nos quais se destacam, conforto, comodidade, alimentação, opções de lazer, distrações, conquistas materiais e seus incontáveis benefícios, ciência, e tantos outros, resta impossível imaginar como viviam os seres de outras épocas. No entanto, em que pese ás inúmeras opções de distrações, que se propõe a oferecer momentos de prazer, a cada dia mais, a civilização tem adoecido, mormente, em sua saúde psicológica. Vivemos a época da depressão, os seres se sentem sós, incompletos, vazios, distante de tudo e de todos. O que faziam os seres do passado, que muito pouco sofriam deste mal? O que mudou que nos adoeceu? Penso que um dos fatores que mais contribuiu, decisivamente, para o cultivo da doença é a exaltação do mundo externo. Passamos a viver olhando o que pode ser conquistado materialmente, trabalhamos, corremos, para acumular e mostrar aos outros o quanto conseguimos juntar, julgamos e somos julgados pelos resultados que produzimos neste campo. Por conta desse modo de viver, nos distanciamos ou até nos separamos do único mundo que oferece a oportunidade de viver a vida intensamente. Por conta dos equivocados conceitos, nos aventuramos em vários caminhos a fim de satisfazer os mais variados desejos, sempre pretendendo que a vida seja mais intensa. No entanto, quanto mais oportunidades do gênero desfrutamos, mais frustrados ficamos, pois imediatamente após, voltamos a sentir a sensação do vazio, a alegria, o prazer sentido, se esfumaçaram e nada restou que pudesse permanecer irradiando sensações felizes. É preciso corrigir o rumo, deixar de caminhar prá fora e voltar-se prá dentro, encontrar, conhecer e alimentar a verdadeira felicidade que só floresce nas profundezas do ser.
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