
O artigo anterior restou uma pequena reflexão sobre a forma de vida que vivemos, da infrutífera busca de sensações felizes, da vida intensa. Inegável que quanto mais oportunidades detém o ser, no sentido de distrair-se, alimentar prazeres ligados ao ser físico, mais se evidencia a ausência de integridade, o “ser” já não lhe pertence, não domina seus pensamentos, desejos, palavras e atos. Cada vez mais dedica-se a cultivar uma figura para o mundo externo, a personalidade, sempre pronta a enaltecer suas supostas virtudes e conquistas, ao mesmo tempo em que se mostra sempre superior aos outros. Esta fictícia figura, logo que se recolhe e se encontra consigo mesma, percebe que não é real, não se identifica, e então sofre as angústias do vazio. Como dito no artigo anterior, vivemos a era da depressão, e, mesmo diante de tantos artifícios para a distrações e os prazeres, cada vez mais, nos sentimos sós. O que nos diferencia dos seres de outras épocas? O que tinham de diferente? Penso que em decorrência da ausência de tantos atrativos para distrair-se, de olhar prá fora, muito mais tempo era dedicado para olhar e conhecer o que temos por dentro. Os seres dedicavam mais tempo de suas vidas para sentir seu próprio coração, olhavam mais o sol nascer, se pôr, percebiam a chuva, o vento, curtiam a noite a lua e as estrelas, e, nestes instantes, conectavam o seu mundo interno com tudo o que lhe rodeava. No mundo de hoje, em que se vive no piloto automático, não temos tempo para encontrar, conectar a vida mental, sensível e espiritual com os demais fragmentos afins dispersos por toda criação. Por isso nos sentimos vazios, frágeis e necessitamos de distrações, para dar “suposta” intensidade à vida. Em que pese o diagnóstico é possível inverter o foco, voltar-se para dentro, cuidar do bem mais precioso que possuímos que é a individualidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário