Mesmo decorrido tanto tempo da
época em que vivíamos de caça, sobrevivíamos graças às forças físicas que
impunham derrotas aos nossos inimigos eliminando-os da face da terra, muito
daquela fera instintiva continua viva dentro de nós. A civilização evoluiu,
construiu os mais sofisticados sistemas de habitação, não vivemos em cavernas,
também desenvolveu maravilhosos mecanismos de produção de alimentos, não
precisamos mais caçar para nos alimentar, e, mesmo assim, a fera que nos fez
sobreviver as maiores intempéries, frio, calor, carência de alimentos, doenças,
continua residindo dentro do mundo interno de cada um. Essa fera precisa ser
domada, controlada, extraindo dela toda energia possível para utilizá-la na
obra mais importante de nossa vida que é a construção de nossa própria
individualidade, aperfeiçoando a figura humana para tornar-se de fato a imagem
e semelhança de seu criador. Controlar essa fera não é tarefa fácil, a cada contrariedade, derrota,
fracasso, ela ruge com toda intensidade,
anulando, muitas vezes, completamente, todo mecanismo inteligente
formado pela mente e coração, e, por
conta disso, cometemos as maiores insanidades, ofendemos quem mais amamos,
espalhamos nosso rancor, chegamos ao ponto de atacar, agredir, e até ferir de
morte, tudo em nome de um suposto valor violado que, geralmente, não possui nenhuma importância na vida. Tornar-se humano, é tornar-se capaz de dominar os próprios
impulsos negativos, conhecê-los,
debilitá-los, construindo em seu lugar uma individualidade capaz de ser
controlada, regida e regulada pela consciência, evitando assim muitos
sofrimentos. Além de evitar o sofrimento com palavras que depois de ditas
gostaríamos de recolhê-las, também nos
protegemos dos gostos amargos que desfrutamos oriundos destes defeitos,
(vaidade, amor próprio, rancor), que nos
fazem sofrer por horas, dias e as vezes por uma vida. Tornar-se um doce ente da
humanidade é o caminho para a felicidade construindo a ponte que nos une ao
criador.
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