quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Humanizando o bárbaro



 
 Mesmo decorrido tanto tempo da época em que vivíamos de caça, sobrevivíamos graças às forças físicas que impunham derrotas aos nossos inimigos eliminando-os da face da terra, muito daquela fera instintiva continua viva dentro de nós. A civilização evoluiu, construiu os mais sofisticados sistemas de habitação, não vivemos em cavernas, também desenvolveu maravilhosos mecanismos de produção de alimentos, não precisamos mais caçar para nos alimentar, e, mesmo assim, a fera que nos fez sobreviver as maiores intempéries, frio, calor, carência de alimentos, doenças, continua residindo dentro do mundo interno de cada um. Essa fera precisa ser domada, controlada, extraindo dela toda energia possível para utilizá-la na obra mais importante de nossa vida que é a construção de nossa própria individualidade, aperfeiçoando a figura humana para tornar-se de fato a imagem e semelhança de seu criador. Controlar essa fera não é tarefa fácil,  a cada contrariedade,  derrota,  fracasso, ela ruge com toda intensidade,  anulando, muitas vezes, completamente, todo mecanismo inteligente formado  pela mente e coração, e, por conta disso, cometemos as maiores insanidades, ofendemos quem mais amamos, espalhamos nosso rancor, chegamos ao ponto de atacar, agredir, e até ferir de morte, tudo em nome de um suposto valor violado que, geralmente,  não possui nenhuma importância na vida.  Tornar-se humano,  é tornar-se capaz de dominar  os próprios  impulsos negativos, conhecê-los,  debilitá-los, construindo em seu lugar uma individualidade capaz de ser controlada, regida e regulada pela consciência, evitando assim muitos sofrimentos. Além de evitar o sofrimento com palavras que depois de ditas gostaríamos de recolhê-las,  também nos protegemos dos gostos amargos que desfrutamos oriundos destes defeitos, (vaidade, amor próprio, rancor),  que nos fazem sofrer por horas, dias e as vezes por uma vida. Tornar-se um doce ente da humanidade é o caminho para a felicidade construindo a ponte que nos une ao criador.

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