domingo, 16 de outubro de 2011

Ser criaça é sentir a vida


Na medida em que vamos crescendo, nos tornando mais “sábios” das coisas mundanas, ao invés de nos aproximarmos, identificarmos com tudo que nos rodeia, e que, acreditamos conhecer, vamos, aos poucos,  nos fechando, construindo muros  que impedem esse contato. É que, as tantas preocupações com as ocupações diárias, seja na vida profissional, pessoal ou social, vão tomando, gradualmente, o tempo que dispúnhamos na infância ou adolescência para sentir nosso próprio coração. O adulto, muito ocupado, não tem tempo para ouvir seu próprio coração, para conectar-se, com seu sistema sensível,  com a vida incessante que palpita ao nosso lado, seja no semelhante, no sol, na chuva, na beleza de um pássaro, uma flor ou  uma bela melodia. Esse processo de irmos aos poucos secando a parte sensível,  nos distancia das mais importantes sensações que pode desfrutar o ser humano. Por isso, inúmeros são os conselhos para não nos  esquecermos da criança que fomos, para voltarmos a ser criança, ou seja, deixar, permitir que nos entreguemos, integralmente,  ao momento. Que, naquele instante, que poderão ser muitos, haja consagração íntima e integral, que na mente e no coração, nenhum outro pensamento ou sentimento contamine, interfira no desfrutar daquela paisagem, som, contato com o semelhante etc. Quantos são os instantes em que, acontecimentos nos fazem recordar inesquecíveis momentos vividos, certamente, nos quais o coração vibrou, bateu forte, instantes em que, nada, nenhum outro fator importava, apenas e tão somente, entregar-se.. É possível sim voltar a sentir,  vibrar, sorrir e chorar, basta apenas, permitir, deixar que a criança que fomos volte a respirar.

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