Parece incongruência, associar
lágrimas á felicidade, no entanto,
penso, estão elas intimamente
ligadas. É comum confundir alegria com felicidade, enquanto àquela é fruto de
instantes fugazes irrefletidos oriundos de fatos circunstanciais, esta, depende de consagração intima, pura, em elevados estados mentais e sensíveis e, talvez por isso seja tão difícil conceituar,
diagnosticar, perceber e ou cultivá-la. Há muito tenho refletido sobre a
lágrima sua origem, causa, bem como sua
ligação com as mais sublimes sensações que pode experimentar o ser humano. É
bem verdade que, muitas vezes, a lágrima
é oriunda de profundos estados de tristeza, amargura e dor. No entanto, também
inegável que sua ocorrência está diretamente ligada a estados íntimos de
pureza, consagração e recolhimento. A lágrima nasce de estados profundos,
da sublime intimidade, da ausência de elementos estranhos. A felicidade, da mesma forma, depende de um estado mental e sensível
propício, não se confunde com alegria, com instantes de gargalhadas proferidas
para o externo, não, a felicidade nasce e se desenvolve nos mais distantes
rincões da alma, floresce na consciência e se revela em sensações intimas,
sentir puro, deixando marcas indeléveis para toda vida. Tivesse que associar
felicidade a algum acontecimento externo, certamente seria a lágrima, é ela que
emerge pura no nascimento de um filho, na realização, conquista de um grande
objetivo, no beijo de um amor verdadeiro, no abraço do irmão, amigo, na mais
bela paisagem, naquele filme que nos dá valiosas lições de vida. Por isso, penso
que lágrima e a felicidade se identificam pela necessidade da construção de
estados mentais e sensíveis adequados, os quais só se tornam possível quando o
mais belo e puro do ser humano se unem
em consagração intima, desprovidos de vaidade, de amor próprio.
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