
Desde criança fomos aterrorizados
com um “ lugar” que segundo incutiram em nossos pais, é o destino para onde são encaminhados os
seres humanos que não cumprem com determinadas regras. Nesse lugar, as almas seriam queimadas até o completo
desaparecimento. As regras que implicariam no encaminhamento para o inferno são
muitas e variadas, cada cultura, crença criou diferentes condutas, atitudes e
até pensamentos que culminariam com a pena capital. Ao longo da existência
humana pensamentos, condutas e entendimentos diferentes tem sido causas, da condenação ao inferno. O não cultivo de
rituais, crenças, adoração de símbolos, locais, também culminariam com o fim
trágico. A imaginação situou o inferno nas profundezas do cosmos, enquanto o
céu, ao contrário, estaria no alto. Se
refletirmos com o mínimo de liberdade, resta fácil compreender, que o sistema cósmico, formado por milhares de
planetas, estrelas, sóis não pode fisicamente contemplar profundezas nem
altitudes, tudo depende do ângulo que se observa. Por outro lado, impossível
pensar que a alma, algo imaterial, possa
queimar. Impossível pensar também que Deus criaria um ser a sua imagem e
semelhança e o condenaria a queimar em
algum lugar pelo fato de não cumprir com regras inventadas pelos próprios
homens. Evidentemente que não. O céu e o inferno são escolhas individuais. Cada
um de nós é responsável pelo próprio destino, podendo caminhar elevando-se
melhorando, aperfeiçoando os próprios pensamentos e sentimentos, e, portanto a
conduta, ou conduzir-se pelos atalhos do
fácil, do ócio, dos desejos do instinto, da busca inescrupulosa pela conquista
material atropelando, pisoteando, machucando o semelhante. O céu e o inferno são
a própria caminhada, que pode ser doce,
serena, reflexiva, contemplativa da paisagem, sempre aproveitada para aprender,
ensinar, cultivar valores elevados,
sentir gratidão por tudo o que é oferecido, ou pode ser amarga,
turbulenta na exata medida do cultivo pessoal. O céu e o inferno possuem o
mesmo endereço, o interno do próprio ser,
ali, a consciência individual, altar máximo da estrutura humana, dita as
merecidas sensações.
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