Inegavelmente, uma das maiores oportunidades na vida do ser humano é a convivência. Difícil, senão impossível imaginar a existência da raça humana sem contato físico, mental, sensível e espiritual entre os seres. Penso que a espécie somente resistiu e prosperou diante da construção de laços que permitiram, inicialmente, a sobrevivência as adversidades climáticas que causavam graves crises de alimentação, ou ainda na proteção dos animais ferozes que povoavam a terra, e, finalmente, para se proteger dos ataques de seres da mesma espécie. A convivência permitiu a troca de idéias, o cultivo ao sistema mental, avançando nos ramos da ciência em seus múltiplos aspectos. Embora tal constatação, é evidente a dificuldade nos relacionamentos nos vários ramos da vida, seja, familiar, social ou individual. E, assim, o que deveria ser uma grande oportunidade é desaproveitada, numa constante luta de imposição de personalidades. Os contatos, as convivências, ao invés de servirem para observar e agregar valores á vida, geralmente, são pautados na crítica e na exaltação de supostos atributos pessoais. Se ao invés de imperar os defeitos, presidisse a convivência, a humildade e o afeto, certamente, o mundo que vivemos seria outro. Ocorre que não é possível dar o que o próprio ser não tem. Assim sendo, tudo começa no mundo interno, onde oscilações temperamentais jogam o ser de um lado para outro, resultando, incessantemente, inúmeras sensações de amargura e ingratidão a tantos acontecimentos diários. Com o mundo interno amargurado, é impossível transmitir aos outros o que efetivamente não possuímos, e por isso, representamos vários tipos psicológicos de acordo com o estado mental do momento. Até que a espécie não se der conta que tem que investir, decisivamente, na construção e compreensão da sua individualidade ao invés de nutrir a personalidade, continuará refém das guerras em todas as esferas, desde as físicas, mentais, de pensamento, etc. Prova disso é a análise mais próxima que se pode ter da convivência externa, a família, onde incessantes contendas entre pais e filhos, irmãos, marido e esposa destroem o ambiente familiar. Se cada um se dispusesse, a observar-se, vigiar seus pensamentos, reprimir os impulsos da intolerância, da impaciência, da vaidade e do amor próprio, começaria, sem dúvida, a nutrir a arte da convivência, que se inicia dentro de si mesmo.

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