Reiteradas vezes, normalmente em virtude de acontecimentos de graves conseqüências, nos vemos forçados a refletir sobre os transtornos que envolvem a mente humana. Pretendo, neste momento, analisar a respeito dos trágicos fatos ocorridos, recentemente, no estado do Rio de Janeiro. A análise dos fatos, permitem, de plano, concluir que não é possível que um ser humano, em seu livre estado de consciência, seja capaz de tamanha brutalidade e maldade. Em que pese isso, relatos jornalísticos aceitos correntemente, insistem em assegurar que o autor da barbárie agiu conscientemente. Mas o que significa estado de consciência? Define a língua portuguesa que tal estado é resultado do “alto desenvolvimento da espécie humana”, ou ainda que é a “faculdade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados”, e por fim que seria a “faculdade de distinguir o bem do mal”. Da simples leitura do significado do termo, emerge, de clareza solar, que a barbárie, é incompatível com o estado de consciência. É que o estado de consciência exige do ser, total amplo e absoluto domínio e controle de todas as suas faculdades, sejam elas mentais ou sensíveis. A imagem que me ocorre é a de uma orquestra, cujos instrumentos seriam as faculdades, o sincronismo deles é capaz de produzir maravilhosos sons, assim como podem, desafinar e provocar desastrosos ruídos. Assim, o adequado funcionamento das faculdades produz a capacidade de “estabelecer julgamentos morais”, de distinguir “o bem do mal”, e reflete o “alto desenvolvimento da espécie humana”. Por outro lado, os desvios, os distúrbios, as deficiências psicológicas produzem decisivas interferências no estado de consciência, e, por conseqüência, desastrosas atuações. Tais demonstrações são notadas, diariamente, com maior eloqüência em trágicos acontecimentos, no entanto, os seres vivem, a maior parte de sua vida inconscientes. Prova disso é a dificuldade de recordação do que ocorreu no dia de ontem, ou na semana passada, nos anos anteriores, ou no percurso já vivido. Ora, tivessem sido conscientes, estariam registrados. E, assim ocorre, porque vivemos sob a interferência de inúmeras falhas caractereológicas, oscilações temperamentais que não nos permitem ver a realidade. A impaciência, a intolerância, o amor próprio, a vaidade, o rancor, as dificuldades de adaptações, interferem e alteram o ânimo, produzindo, incapacidade de produção de juízos isentos e corretos a cerca do bem e do mal. A inconsciência, é, portanto, assassina da vida.

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