quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ruídos do mundo interno



 
 Nada, absolutamente nada possui mais valor do que os movimentos que ocorrem no mundo interno.  Em que pese o ouro reluzente exteriorizado, fruto do acúmulo de bens materiais, são os rincões da alma que ditam os ruídos que acompanham o ser. É comum a pretensão pessoal de viver na vida do outro, acreditando que àquele não enfrenta as lutas que nos afligem. É comum acreditar que a vida do outro é um oásis e que a pessoal é uma incessante tempestade. Assim o abastado acredita que o carente de recursos não detém os incômodos da manutenção e conquistas do material. Por outro lado, o carente acredita que a ausência dos bens materiais são os motivos de seus infortúnios. Em que pese a evidência dos diagnósticos, poucos são os que se detém a pensar sobre as causas das equivocadas conclusões. É que, pouco ou nada conhecemos do mundo interno, não sabemos, não compreendemos, e não dispomos de informações que nos permitam avaliar, ingressar e descobrir os segredos escondidos. O laboratório é imenso, detemos os instrumentos, no entanto, não os sabemos usar. Quem sabe, uma bela analogia seja pensar o mundo interno como centro gerador de sons. Estes sons podem ser suaves, graves, agudos. Podem ditar uma bela melodia fruto da harmonia dos vários instrumentos. Podem também produzir sons desafinados, ruídos que machucam. O inquestionável é que cada um é responsável por sua orquestra. O maestro que dita os sons  é a própria consciência  é ela que aprova ou desaprova a conduta, o comportamento, provocando som segundo seja a boa ou má atitude, o bom ou mau pensamento ou sentimento. É possível comprovar referidas reflexões com o controle dos pensamentos e sentimentos. É possível perceber os ruídos no silêncio reflexivo, contemplativo dos movimentos internos. È possível ouvir os sons que emergem do interno repercutindo uma bela melodia, que toca e faz vibrar as fibras invisíveis.

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