
Mesmo sendo a vida o maior bem
que devemos proteger, cuidar, alimentar, os dias passam sem recordarmos dela. Vivemos no piloto
automático, acordamos pensando nos inúmeros afazeres, compromissos que nos
aguardam. A partir de então todas as energias, pensamentos são dirigidos para a
solução, encaminhamentos das necessidades do mundo profissional ou familiar. Os
“problemas”, dominam a mente e o coração, não restando tempo para observar,
refletir sobre o que ocorre ao nosso redor, e, especialmente, dentro do nosso próprio mundo. A essa correria desenfreada chamamos vida,
sem perceber que o tempo passa e nada, absolutamente nada destes fragmentos
fica registrado, é como se não tivéssemos vivido. Por isso, é tão difícil
recordar o que vivemos ontem, semana passada, não importando a idade física, os registros
são escassos. Por conta disso,
precisamos sempre de mais tempo para viver,
para depois utilizá-lo como temos feito sempre, na mais absoluta
inconsciência. De tal comportamento nasce a doença do vazio, o amargo do mundo
interno fruto do chamado da consciência à ausência de vida. Por óbvio, que da
vida fazem parte as lutas, os problemas, o trabalho, a família, no entanto,
viver ou morrer depende de como estes fragmentos de vida são vividos. A vida
somente existe quando o que estamos vivendo, comove, toca, faz vibrar o mundo
interno, fazendo com que, cada detalhe, manifestação, seja percebida, refletida, pensada e sentida. A vida é um processo evolutivo que somente
acontece quando o que se vive é utilizado para aprender, melhorar, compreender
o que ocorre em nosso próprio mundo
interno, no semelhante, na natureza em
tudo o que nos rodeia. Ao contrário, quando
vivemos automaticamente, nada aprendemos, reiteramos nos mesmos erros,
permanecemos no mesmo ponto da evolução como
os animais que repetem sempre o mesmo comportamento. Viver ou morrer
depende do valor que damos a cada fragmento de tempo, valor este
medido pelo grau de consciência do vivido. Ter consciência do que se
vive depende de entregar-se, pensar, refletir, observar, compreender e sentir o
que está sendo vivido.
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