É comum ver fisionomias fechadas,
transparecendo a amargura do mundo interno. É comum ouvir relatos das
dificuldades enfrentadas, dos problemas que afligem a vida e que impedem de ser
feliz. É comum ouvir que o outro é que possui uma boa vida, que não sofre. Em
que pese a eloquência dos argumentos, continuamos nos enganando com falsos motivos
para justificar o amargo que produzimos. Ora, é evidente, inegável,
inquestionável que a leveza ou peso da vida é uma tarefa exclusivamente
pessoal, a cada um compete decidir se quer uma vida leve, serena e feliz ou se
quer carregar fardos intermináveis. Desde sempre, aprendemos a transferir
responsabilidades, atribuindo aos outros as razões de nossos sofrimentos,
derrotas, e, normalmente, aos próprios méritos
as vitorias e alegrias. Desejamos ter paz, mas cultivamos a guerra. Desejamos avançar,
evoluir, mas temos preguiça de sair da zona de conforto, de lutar, caminhar.
Queremos amigos, mas somos incapazes de perdoar, tolerar, ouvir. Queremos bens
materiais, mas reclamamos dos ônus que
sua manutenção nos exigem. Queremos filhos para depois reclamar que nos tiram o
sossego, a liberdade etc. Queremos um amor para depois reclamar da rotina, dos seus
defeitos, da falta de liberdade. Queremos uma bela forma física, mas não
gostamos dos exercícios das limitações alimentares. Queremos sucesso
profissional, mas reclamamos dos empenhos que ele exige. Queremos inteligência,
mas temos dificuldades em admitir que
pouco ou nada sabemos, que precisamos
buscar mais, recordar das próprias limitações. Queremos uma vida serena,
pacífica, mas não sabemos como acalmar os pensamentos, eliminar
deficiências. Se pensarmos que a dimensão, peso de
cada pedra que encontramos pelo caminho é responsabilidade pessoal, é possível
aprender a limitar o fardo. È possível ainda aprender a desviar-se delas, mudar
o caminho, passar sobre elas como se não estivessem lá. É possível descobrir que quanto mais
cultivarmos a humildade a paciência, mais leve, ficaremos. É possível descobrir
que quanto mais eliminarmos nossos defeitos substituindo-os por virtudes menos
pesos carregaremos. E, assim, descobrir que podemos voar, superar estados de
consciência.
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