Diariamente, temos visto manifestações contundentes de pessoas sobre o valor de suas palavras. Normalmente, tais discursos, objetivam a defesa de acusações e ou insinuações sobre condutas do próprio orador ou de terceiro. No entanto, tão natural como as acusações são as confirmações da veracidade das imputações, destruindo retumbantes defesas, sempre pautadas no “valor da palavra”. Isso sem falar naqueles que, sem nenhum constrangimento, prometem, garantem e asseguram determinados resultados, sejam de ordem política, econômica ou religiosa, da mesma forma, sem nenhum compromisso com o que dizem. Diante de tantas palavras jogadas ao vento por tão importante e decisiva ferramenta de comunicação, não mais se produzem os efeitos esperados e naturais da preciosa manifestação humana. Sem qualquer constrangimento e ou noção da importância, um dos maiores, senão o maior patrimônio do ser, tem sido destruído com conseqüências desastrosas para toda coletividade. Por conta de tal descrédito, perdeu-se uma das mais importantes prerrogativas humanas, que é a da convivência, nutrida e regada pela confiança. É tão comum os lábios pronunciarem palavras, negadas pela consciência e conduta do próprio ser. Jogamos palavras ao vento, destruímos e maculamos nossa imagem com reiteradas manifestações que não correspondem ao que efetivamente possuímos, somos e pensamos. Poucas são as vezes que a palavra é utilizada para construir, alegrar, nutrir, orientar, sem pretensões de benefícios pessoais. Tão importante prerrogativa deveria, ser sempre, pautada no objetivo do bem pelo bem, representando o mais profundo pensar e sentir, jamais pretendendo ferir, e, tendo em conta sempre, a necessidade e oportunidade do pronunciamento. Quantas vezes nos vemos desesperados tentando recolher palavras que jogamos e que tanto mal produziram aos outros, e, por conseqüência a nós mesmos. E, o mais penoso, é que as feridas causadas pelas palavras, normalmente, são produzidas em quem mais amamos, (pais, filhos, irmãos, amigos, esposa, esposo). Por isso, é imperioso recordar que Deus nos deu dois ouvidos e uma boca, para ouvir muito mais do que falar, também nos deu uma mente e um coração por onde devem passar, antecipadamente, o que será pronunciado, e, somente dito, quando certo da necessidade, oportunidade e utilidade da manifestação.

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