
Se buscarmos, em nossa memória, momentos vividos no passado, por certo, virão
a tela mental, instantes de intensa emoção,
sejam de alegria e felicidade e ou de sofrimento. Independentemente da idade física, todo o tempo vivido em que a mente governou
isoladamente a vida, pouco ou nada
poderá ser resgatado, projetado como se estivéssemos revivendo o momento, ou
seja é como se não tivessem existido. Prova
disso, é a simples tentativa de recordar
o que vivemos ontem, semana passada, e
ou ainda, desafiando-se a buscar, na memória , um único momento por
ano, de cujos detalhes nos lembramos e que nos fazem vibrar, reviver, sentir o
que sentimos naquele instante. Nascemos
nos emocionando, vamos crescendo
envolvidos em momentos intensos de alegria ou de tristeza, ou seja,
estabelecemos ligações mental e sensível com tudo o que envolve a nossa vida.
Vem a adolescência, e, então, começamos assassinar nosso sistema sensível,
procurando controlar os sentimentos, impedindo que atuem. Aos poucos, passamos a usar exclusivamente a mente, nos afastando dos acontecimentos, tratando-os
como meros expectadores, acreditando que, desta forma, demonstramos amadurecimento, crescimento. E
assim é, porque a própria civilização, com o passar do tempo, dedicou-se a
cultivar exclusivamente a mente, deixando de cuidar do coração, sequer
o estudando, compreendendo sua importância e força na vida humana. Talvez por isso, aceitamos que
utilizamos menos de 10% de nossa
capacidade intelectual. Desconhecemos as inteligências da sensibilidade que tem seu endereço no
coração. Confiamos, demasiadamente, na mente, desconfiamos dos sentimentos. Em que pese tais constatações, fácil observar,
e comprovar, que àqueles que mais se emocionam, envolvem-se,
entregam-se de mente e coração em tudo o
que vivem, são seres felizes, que sentem
e mantém registrado os momentos vividos. E, quanto mais vivem, mais aprendem,
pois os exemplos ensinaram o que, de fato é
importante na vida. Deixar a emoção tomar conta é elevar-se acima dos
limites impostos pela insensível mente, é penetrar em um outro mundo onde palpitam as fibras
ultra sensíveis da criação, é chegar
mais perto de Deus.
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