domingo, 29 de maio de 2011

A arte de ensinar e de aprender

Por característica,  vivemos querendo ensinar, transmitir aos outros “supostos” conhecimentos que entendemos possuir. Tal comprovação pode ser efetuada através da observação de qualquer ser humano,  por mais ignorante que seja, ou até pelas crianças, que desde o momento que conseguem se expressar, pretendem  “ensinar” aos outros sobre suas “grandes” descobertas. Automaticamente, em qualquer diálogo, oportunidade de convivência,  o objetivo sempre, é demonstrar conhecimentos, possuir informações externando aos demais o “suposto” conteúdo. Tal característica humana tem sido acentuada ao longo dos tempos, acirrando a competição pela demonstração, exteriorização de “suposta” sabedoria,  tornando-se instrumento para insuflar a personalidade. Concomitantemente o ser tem se afastado do mundo interno pra viver no externo, tem perdido a grande, a maior e mais importante oportunidade da convivência que é a de aprender, de ouvir, de refletir sobre as condutas, os comportamentos, as formas de vida, os defeitos e as virtudes do semelhante. Deveria o ser, ao invés de pretender sempre ensinar, estar sempre disposto a aprender, aproveitar todos os instantes para adquirir conhecimentos, para solidificar, comprovar o que possui, modificar, acrescentar tantos aspectos que precisam ser trabalhados.  O grande mal é pretender ensinar o que não se sabe. Tal característica também é comum, facilmente comprovada em qualquer contato com os demais,  e, especialmente diagnosticada na área de domínio profissional. Aliás, o dito popular bem explica o referido “de médico de advogado e de louco todo mundo tem um pouco”. Certamente qualquer profissional não terá dificuldade em associar inúmeros acontecimentos de sua vida onde o leigo pretendeu impor seu “pseudo” conhecimento.  É preciso lembrar que só se pode dar o que se tem, e que àquilo que não possuímos pode ser buscado, aprendido, compreendido e incorporado a vida desde que me proponho a aprender. O grande, o mais importante é aproveitar os momentos para aprender, para agregar e só depois pretender ensinar. Por outro lado é preciso saber ensinar,  escolher o momento, a  forma,  o lugar,  os termos, nunca para ferir e sempre para melhorar. Outra coisa é quando se consegue, transmitir o conhecimento com a participação do coração, com “brilho nos olhos”, com diz uma campanha publicitária, aí então se abrem as portas do entendimento, o mundo interno tanto de quem ensina quanto de quem aprende se unem  e o saber não é motivo de soberba,  é o compartilhar da vida, dividir, somar. Quem não lembra do  aprendido quando quem ensinou o fez com humildade, com simplicidade com o coração vibrando de alegria por poder ajudar? Essa é a verdadeira forma de ensinar, tendo em conta que o primeiro a aprender é o próprio ser, pois cada oportunidade é única e fornecerá elementos para melhorar, e depois, recordando que somente pode dar o que de fato possui.

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