Embora saibamos que nossa vida física pode cessar a qualquer momento, fizemos questão de não pensar nisso, postergamos, nos comportamos como se tal fim estivesse muito distante, e, portanto, deixamos para depois o que deveríamos cultivar todos os dias. Penso que assim nos comportamos devido a consciência que temos das inúmeras falhas que cometemos, reiteradamente, as quais, caso pensássemos na morte, teríamos que evitar, afastar da vida, enfim, ser melhor. Penso também que o medo da morte decorre, exatamente, da consciência do dever não cumprido, dos erros oriundos das falhas de caráter, as quais não fazemos o necessário esforço para superá-las. No entanto se, diariamente, pensássemos que esse seria o último dia, como nos conduziríamos? Como seria o comportamento comigo mesmo e com meus semelhantes? O que faríamos de diferente? Como veríamos o sol, a chuva, a noite, as estrelas, a lua? Perceberíamos, sentiríamos a natureza, “criação”, da qual fazemos parte? E os semelhantes qual seria o comportamento em relação a eles? Ora, não tendo nada mais certo na vida do que a morte, parece, evidente, que poderia e deveríamos pensar mais nela, não como um fim, mas sim com objetivo de aproveitar, sentir, perceber e viver, verdadeira e intensamente enquanto pudermos desfrutar dessa prerrogativa. Basta recordar de seres que tiveram um “tranco” da vida, vislumbrando seu fim, das mudanças no modo de vida, da forma que passaram a perceber, sentir, e viver. Não precisamos de “trancos”, podemos, a cada dia, ao acordar, sermos gratos pelo sol ou pela chuva, e pensar que os instantes que serão vividos ficarão e ou serão os registros da vida. Assim também podemos pensar que o semelhante com quem convivemos poderá amanhã não mais existir, oportunizando, também um desfrutar mais atento e harmônico. Normalmente somente percebemos da importância e o valor, tanto do que possuímos quanto dos semelhantes, á partir do momento que os perdemos, assim, se diariamente, recordarmos que podemos perder a oportunidade de conviver, toleraríamos mais, seriamos mais pacientes, atentos, conscientes, adotaríamos condutas que, quando distantes sentindo saudades, nos propomos a fazer, mas logo esquecemos. Portanto, pensar na morte significar viver e dar a vida o valor que ela merece, ser mais consciente, desfrutar dessa magnífica oportunidade, reclamar menos, cultivar a gratidão a tudo que possuímos, especialmente ao criador. Cultivar a oração da humildade, dar mais que receber, perdoar mais que ser perdoado, compreender mais que ser compreendido, tolerar mais que ser tolerado, amar mais que ser amado, isso nos fará seres melhores, mais agradáveis, e, com certeza muito mais felizes.

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