Desde a infância, somos estimulados e nos acostumamos a usar, primordialmente, a faculdade da imaginação. Inconscientemente, nossos pais, avós, e mesmo a cultura vigente, oferecem inúmeros elementos que nos conduzem a imaginar sobre os mais variados aspectos da vida. Evidentemente que, tratando-se de faculdade da mente, possui ela, seu valor e importância, no entanto, devido ao excesso de estímulos e do desconhecimento do funcionamento de seu mecanismo, tem servido ela, para provocar muitos sofrimentos. Aprendemos a acreditar em “papai noel, coelho da páscoa, saci pererê, mula sem cabeça, bruxas, monstros, bicho papão” e tantas outras criaturas inexistentes, e que só servem para nos afastar da realidade. Por conta de tal cultura, além do temor que resulta do desconhecido, impedindo o livre raciocínio, nos iludimos, acreditando que o encaminhamento da vida pode ser confiado ás mais variadas figuras do mundo imaginário. Se atentarmos para ás 24 horas de vida diária, perceberemos que, retirados os períodos do sono, a maior parte do tempo é utilizada pela faculdade da imaginação que nos leva, instante após instante, para vários lugares, os quais, geralmente, não são reais, pertencem ao mundo quimérico, impedindo e dificultando o livre exercício das faculdades, nublando o entendimento, produzindo falsas sensações fugazes de prazer, e muitos momentos de angústias, também irreais. Imaginamos o belo carro, a poderosa mansão, o barco, viagens, os príncipes e as princesas, não nos dando conta que tudo é fruto de merecimento, conhecimento, do cultivo de atributos que possibilitem a conquista. Nada, nenhuma colheita ocorrerá, sem que o cultivo tenha sido adequado, e, nem mesmo o mais elevado empenho na atração do mundo quimérico, será capaz de tornar real o objeto do desejo. Por conta do uso excessivo e desvirtuado da faculdade, sofremos também, antecipadamente, por inúmeros fatores que “acreditamos” envolver nossa vida, sequer nos dando conta do que é real e do que é imaginário, refletindo inclusive nos outros o resultado das divagações que produzimos. Tais “viagens” afetam de tal maneira o ser, que não lhe permitem ver o que realmente é e possui, seja em atributos éticos, morais, conhecimentos e ou estéticos, tampouco compreende os acontecimentos que o rodeiam, sempre insuflado pelos excessos, pelos desvios, produzindo conclusões baseadas nos pensamentos imaginários que governam a mente. È necessário, pois, encaminhar, educar, orientar a condução da vida pelo mundo da realidade, reservando o uso da imaginação, para a criação de imagens que atendam propósitos e objetivos reais.
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