
Em que pese o equivocado conceito masculino de que a sensibilidade e ou os sentimentos são atributos da natureza feminina, penso que, não existe ser humano que não mantenha em sua vida recordações, registros sublimes de momentos em que o coração presidiu sua vida. Inconscientemente, buscam os seres fazer o “sentir” participar da vida,e, quando conseguem, desfrutam, nestes instantes, de gratas satisfações e regozijo, embora a mente não tenha, muitas vezes, capacidade de compreender as sensações experimentadas. Sabendo que somos formados pelos sistemas mental, sensível e instintivo , que, o sistema mental tem sua sede na mente, enquanto o sensível reside no coração, difícil é, perceber a atuação da sensibilidade, embora, a todo instante, buscamos sentir. Porque é tão difícil sentir? Porque, mesmo diante do esforço mental, ao nos deparar com belos momentos o coração não vibra? Porque nos sentimos em outro mundo quando a sensibilidade, os sentimentos atuam em nossas vidas? Compreendo que, ao contrário da mente, que dissimula, representa, permite ao ser enganar-se e, inclusive, transmitir aos outros, valores, atributos que não possui, a sensibilidade, somente atua, em sua mais intima pureza, depende de consagração, da ausência de tudo que é inferior, dos defeitos, do rancor, da soberba, do amor próprio, da vaidade etc. Se recordarmos de algum momento em que sentimos a atuação desta outra parte de nossa constituição, e ou, se percebermos a sua atuação, constataremos que, no instante, nada, nenhuma interferência contaminava a consagração intima, pura, sublime, em elevados estados de consciência. Penso que, exemplo disso, é o sentir da mãe, no momento do nascimento de um filho, dos pais, ao presenciar os triunfos dos filhos em aspectos que demonstram seus valores, dos enamorados, que vêem no outro, apenas virtudes, ou, ao assistir àquele filme que toca lá no fundo. Veremos, que, em todos estes instantes, não participa do ser, nenhum defeito, nenhuma crítica, inexiste soberba, vaidade, amor próprio, ao contrário, o ser, presidido pela humildade, se coloca num estado superior de consciência, e, por isso, o coração vibra. É desta vibração que dependemos para ser feliz, para regular a vida psíquica, para perceber e sentir que estamos vivos, que possuímos valores, sentimentos, que nos diferenciamos dos animais que nada sentem, e, nestes instantes nos tornamos mais humanos nos aproximando do criador. No entanto é preciso recordar que precisamos criar dentro de nós mesmos as condições para que o coração vibre, e, nutridos por atributos morais, éticos e humanísticos de índole superior, regulamos melhor a vida e nos sentimos mais felizes.
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