terça-feira, 24 de maio de 2011

A vida num outro mundo

Desde o momento que passamos a ter alguma consciência  da vida, buscamos ser felizes,  pretendemos que nossos instantes sejam intensos, que vibrem, que nos façam sentir que estamos vivos. No entanto, quanto mais nos instruímos e acreditamos ter evoluído, menos conseguimos fazer com que referidas sensações façam parte da vida. Do que nos afastamos? Como fazer para sentir o coração vibrar e a mente sorrir?  Parece que ao invés de nos tornarmos mais leves,  ficamos pais pesados, como se carregássemos sobre os ombros fardos imensos que não nos permitem voar, serenar, respirar, sorrir. Ao contrário, quanto mais acumulamos conhecimentos e patrimônio, mais amargos, intolerantes,  impacientes,  incompreensivos e infelizes ficamos. Como mudar tal quadro?  O que fazer para reencontrar àquela criança cheia de sonhos, leve e doce? Penso que existe outro mundo, mundo das grandes idéias, onde não há lugar para rancor, para vaidades, para amor próprio. Mundo da humildade, da simplicidade,  da sabedoria universal,  mundo do qual originou-se a vida.  Embora ao nascermos àquele mundo seja o primeiro a nos guiar, a nos infundir vida, a nos dar segurança, aos poucos, dele  nos afastamos, para ingressar, cada vez mais, neste,  das conquistas materiais, onde vigora a lei do mais forte,  “inteligente”,  “esperto”.  Neste mundo,  não há lugar para a humildade, para o afeto, para a doçura,  para a lágrima de alegria, para a inocência, precisamos ser firmes, desconfiados, vigilantes a tantos interesses que nos rodeiam. Construímos a personalidade,  características negativas, ao invés de  cultivar o indivíduo,  íntegro, não suscetível a tantas oscilações temperamentais que nos arremessam para vários cantos momento após momento.  Este mundo é incompatível com a felicidade, nele tudo é fugaz, momentâneo, e desaparecerá sem nada deixar. O outro mundo,  só é acessível quando nos dispomos a deixar de lado as características deste, quando conseguimos retirar da mente  e do coração a  magoa, o rancor, a vaidade, o amor próprio, e nos propomos a pensar em quem somos, o que queremos ser, e, especialmente,  em como pretendemos ser lembrados. Quando conseguimos pensar no futuro da humanidade, nos valores que precisamos cultivar para que nossos filhos e nossos netos possam viver melhor e mais felizes, aí sim teremos a oportunidade de perceber que existe  outro mundo,  onde a felicidade é duradoura. Quando nos dispusermos a ouvir o silêncio, a ver o sol, a chuva, a cultivar a gratidão por esta grande oportunidade que é viver,  a perceber o oxigênio enchendo os  pulmões de energia e força,  aí começamos a ingressar no outro mundo,  de onde viemos e  prá onde vamos,   voltamos a ser crianças, a ser felizes, a sentir a vida em toda sua plenitude.    

Um comentário:

  1. Como fazer para sentir o coração vibrar e a mente sorrir? Sinceramente, amei esse texto! Muito bom mesmo.

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